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Rumo à COP 31 na Turquia

Por Luis Borges*
nov 27, 2025

A história registrou de 3 a 14 de junho de 1992 a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – CNUMAD, também conhecida como Eco 92, para que os chefes de Estados debatessem os problemas ambientais em âmbito mundial.

Na ocasião foram lançadas as bases para a realização das Convenções das Nações Unidas para frear as mudanças climáticas causadoras do aquecimento global gerador do efeito estufa. A primeira Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas – COP1 foi realizada em 1995 na cidade de Berlim, na Alemanha. Da Eco 92 para cá já se passaram 33 anos.

Agora chegamos ao final da COP 30 em Belém do Pará, no Brasil, e já estão marcadas as datas da COP31 no próximo ano na cidade de Antalia, na Turquia, e a COP32 em 2027 na cidade de Adis Abeba, na Etiópia.

Mas o que e como fazer para melhor prosseguir nesse ano de liderança brasileira até o próximo evento? Vale a pena pensar no consenso possível para se chegar às conclusões finais da COP30 e verificar a distância entre a expectativa de um maior alcance das metas e a realidade possível para as decisões tomadas.

Tudo muito aquém das necessidades que o planeta Terra tem neste momento para vencer o efeito estufa com estratégias de sobrevivência. O tempo que urge torna-se cada vez mais curto diante da inércia dominante.

As metas definidas para os países membros da ONU, com 59 medidas para serem implementadas, são tímidas diante das necessidades atuais. É claro que não precisavam ser malucas, inatingíveis, mas poderiam ser bem mais desafiadoras, ainda que difíceis de ser atingidas, mas não impossíveis.

Mas para isso seria preciso definir claramente a quantidade de dinheiro necessária, de onde ele viria e qual proporção da participação de países ricos e pobres. Porém houve distância entre a fala e a prática. O mundo continuará se aquecendo e se estufando enquanto o mapa do caminho para se livrar dos combustíveis fósseis – carvão, petróleo e gás – cuja queima representa cerca de 75% das emissões de CO2 causadoras do efeito estufa, ainda é um desejo num horizonte próximo.

Outra grande lacuna a ser preenchida fica por conta do combate ao desmatamento nos diversos biomas e a proteção dos oceanos cada vez mais receptores de materiais plásticos. Lembremos que “no fim do mundo tem um tesouro, quem chegar primeiro carrega o ouro”, desde que se tenha oxigênio para chegar até lá.

O ponto de não retorno está cada vez mais perto e se aproxima a passos largos. Os fatos e dados não deixam de existir só porque são ignorados ou negados. Enquanto isso a primavera logo dará seu lugar para o verão no hemisfério Sul.

Que calor!


Luis Borges é Engenheiro Mecânico formado pela UFMG, professor universitário de carreira encerrada, consultor especialista em Gestão Estratégica de Negócios, mentor e torcedor do América Futebol Clube.Vive no reino das palavras, da música, do teatro e do conhecimento, em plena era da incerteza e de permanentes mudanças e reposicionamentos estratégicos.

Blog: https://observacaoeanalise.com.br

*As opiniões aqui expressas são de total responsabilidade do autor, não correspondendo necessariamente, às do Senge-MG.