Como todo processo açodado e cheio de pontas soltas, eis que surgiu no horizonte nos últimos dias um fato mais do que relevante, que tem força suficiente para parar todo o processo de venda da Copasa, pondo fim ao sonho privativista do governador Romeu Zema.
Trata-se da delação, noticiada pelo Portal UOL, no dia 12/02 último, homologada no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em fevereiro de 2025, do presidente do Conselho de Administração da Copasa, Hamilton Amadeo, eleito em abril de 2024 para o cargo.
Os dados revelados, considerados sigilosos pelo portal, levaram Hamilton Amadeo a renunciar ao posto, em comunicado da Copasa ao mercado, horas após a reportagem do UOL revelar que concessões de água e esgoto conquistadas pela empresa privada Aegea, companhia em que o executivo fora presidente antes, envolveram propina, segundo delações.
O acordo celebrado em 2021 foi homologado pelo ministro Raul Araújo, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), após cinco anos de tramitação.
Ou seja, baseado nas informações reveladas pelo UOL, Amadeo era incompatível com o cargo que assumiu com a aval do Governador Zema, pois fere o artigo 17 de Lei Federal 13.303/2016 (Lei das Estatais), que estabelece requisitos mínimos de governança, transparência e, especialmente, critérios objetivos para a nomeação de administradores.
O Senge-MG sempre se posicionou contra o fim do plebiscito da Copasa e Copanor e é contra a privatização de empresas de saneamento, fundamentais para garantir esse direito a toda a população, ao manter politicas públicas de justiça social.
O Senge-MG sabe, também, que a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em sua maioria, não poupou esforços para atender o Governador Zema em tudo que ele queria para garantir a privatização da Copasa ainda no seu mandato.
Agora, na volta do recesso, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, diante dos novos fatos, tem a rara segunda chance de reavaliar a chancela que deu à privatização da Copasa. Desconhecer as denúncias do Portal UOL, e se manter fiel ao Governo Zema, pode se tornar um abraço de afogados.
Suspender o processo de privatização é o mínimo que o Senge-MG espera de legislativo, executivo e judiciário.