Márcio Girão e Miguel Manso são os palestrantes convidados para o primeiro debate.


O Sindicato de Engenheiros no Estado de Minas Gerais (Senge-MG) promove, na próxima segunda-feira, 21 de setembro, em sua sede (Rua Araguari, 658 – Barro Preto – Belo Horizonte), a partir da 18h30, uma mesa de debates sobre o tema “Engenharia, Desenvolvimento e Soberania”. O evento terá como palestrantes os engenheiros Miguel Manso e Márcio Ellery Girão Barroso e será mediado pelo engenheiro Marco Túlio de Melo, presidente da Fisenge, com transmissão ao vivo pelo canal do YouTube @TVSenge.
A engenharia como condição de soberania é o tema da palestra do engenheiro Miguel Manso. Para ele, a retomada do investimento produtivo, a modernização do Sistema Confea/Crea, a formação de novos engenheiros e a criação do PROGRAMA MAIS ENGENHARIA como pilares do desenvolvimento nacional são os caminhos que devem pautar o debate.
Márcio Girão, por sua vez, pretende tratar o tema a partir de uma definição de Soberania do ponto de vista tecnológico. Nesse sentido, ele discorrerá sobre os mecanismos atuais e propostas de futuro para que, acelerando o desenvolvimento do Brasil, promova sua soberania, não apenas tecnológica, mas alinhada com a justiça social.
O país possui uma das matrizes energéticas mais renováveis do mundo — cerca de 45% são provenientes de fontes como hidrelétricas, biomassa e eólica (EPE, 2022) —, mas ainda convive com desmatamento, poluição urbana e desigualdade social. Segundo Miguel Manso, a engenharia brasileira opera nesse ambiente complexo, no qual a inovação tecnológica deve coexistir com a preservação ambiental e a justiça social. “Sem engenharia de qualidade, o Brasil seguirá exportando commodities e importando tecnologia. Com engenharia de qualidade, podemos construir um futuro industrial sustentável e soberano”, afirmou Manso.
Desmonte e retomada
Manso lembra que o setor sofreu um profundo desmonte nos governos Temer/Bolsonaro, com recessão, fragilização das instituições de classe e fuga de talentos. “Muitos engenheiros migraram para finanças, gestão, TI ou para fora do país. O BNDES, os bancos públicos e o FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Científico) foram proibidos de financiar o setor, e o Brasil deixou de ser exportador de serviços de engenharia para se tornar importador”, afirmou.
Segundo ele, o governo Lula retomou o caminho certo ao criar linhas específicas para modernizar as mais de 230 mil empresas de engenharia do país, instrumento estratégico para o desenvolvimento tecnológico de todos os setores da produção e dos serviços intangíveis — projetos e patentes.
Manso alerta, ainda, para a defasagem na formação de engenheiros no Brasil. Enquanto a China forma mais de 2 milhões de engenheiros por ano e a Índia cerca de 1,5 milhão (UNESCO, 2022), apenas 17,5% dos graduados brasileiros estão em áreas de ciências exatas — abaixo dos percentuais da Alemanha (35,8%), da Coreia do Sul (30,2%) e até da Indonésia (18,47%). Para ele, o cenário disruptivo das novas tecnologias exige atualização constante. “Programas de requalificação e formação de novos engenheiros, com foco em inteligência artificial, energias renováveis e sustentabilidade, são essenciais para atender às demandas do mercado e dos projetos nacionais”.
Propostas para o futuro e soberania como horizonte
Na conferência do dia 21 de setembro, Manso apresentará uma proposta para eixos estratégicos debatidos pelo Fórum Nacional da Engenharia:
- Plano Nacional de Investimentos em Engenharia e Tecnologia, com metas claras e prazos definidos;
- Programas de formação e requalificação profissional alinhados às demandas do mercado;
- Integração entre setores público e privado para acelerar a inovação;
- Fortalecimento da cooperação internacional para compartilhamento de conhecimentos e tecnologias.
“Da construção de Brasília à Petrobras, Embrapa, Embraer, CNPEM/Sirius, Pré-Sal, Proálcool, enriquecimento de urânio e indústria naval, há exemplos da capacidade criativa nacional. Nenhum país alcançou desenvolvimento sustentável e industrialização robusta sem uma base sólida de engenharias”. Para Manso, engenharia, desenvolvimento e soberania formam um único problema e uma única solução. “Investir em engenharia é investir na liberdade de decidir o próprio destino. Sem soberania tecnológica, não há desenvolvimento pleno; sem engenharia, não há soberania possível”.
SOBRE OS PALESTRANTES:
MÁRCIO ELLERY GIRÃO BARROSO é Engenheiro Civil pela Universidade de São Paulo – USP – São Carlos, onde concluiu os créditos de Mestrado. Foi professor adjunto na Escola Politécnica da USP. Trabalhou nas seguintes empresas privadas de engenharia e mineração: Promon Engenharia; Cobrapi; British Petroleum (BP) Mineração. Nas empresas públicas, trabalhou na NUCLEP (Assessor Executivo); na FINEP – Diretor de Inovação, de Planejamento, Gestão de Riscos e Jurídico. Em atividades setoriais: Diretor Executivo da Riosoft; Presidente da SOFTEX; Diretor-Presidente do RioBoston (incubadora na cidade de Boston, EUA; Presidente da Fenainfo; Conselho Diretor do CPqD; Presidente da CONTIC (Confederação Nacional de Tecnologia da Informação e Comunicação); Presidente do Clube de Engenharia do Brasil. Atualmente, é empresário na MGB Informática Ltda. e na Lexsemantic Tecnologia Ltda. É Membro do Conselho Diretor do Clube de Engenharia do Brasil. Recebeu o Diploma de Amigo da Agitec (Agência de Inovação do Exército Brasileiro) e o título de Cidadão Fluminense, concedido pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. É membro fundador da Academia Nacional de Educação, Ciência e Inovação.
MIGUEL MANSO é Engenheiro eletrônico formado pela USP, com especialização em Telecomunicações pela Unicamp e em Inteligência Artificial pela UFV. Foi assessor direto de 4 governadores em SP, de 1982 a 1996 e em 2017/18. Trabalhou no IPT, na CESP, na Câmara Municipal de SP, nas prefeituras de Guarulhos e Guarujá. É Consultor Sênior em IA.
É pesquisador do Grupo de Pesquisa sobre Desenvolvimento Nacional e Socialismo da Fundação Maurício Grabois. É pesquisador da FDTE — Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia. É membro do Conselho Nacional da CNTU — Confederação Nacional dos Trabalhadores de nível Universitário. É diretor de Políticas Públicas da EngD – Engenharia pela Democracia. Coordenou a 1ª Conferência de Engenharia, Ciência, Tecnologia e Inovação, preparatória à 5ª Conferência Nacional de CTI, onde foi conferencista em 2025. Coordenou o Grupo de Trabalho da SBC, SOBRAPO, SBM e ENGD que formulou a CONTRIBUIÇÃO AO PLANO BRASILEIRO DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL — documento que serviu de base para a formulação do PBIA. É membro da Comissão Organizadora da 1ª Conferência Nacional da Engenharia, em processo de convocação pelo Governo Federal para 2026/2027. É membro da Comissão de Redação que elabora o CADERNO BRASIL PRODUTIVO, desenvolvimento do Programa de Governo do Presidente Lula para as eleições de 2026.