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CEMIG SIM e a “indignação” tardia e seletiva

A Cemig SIM foi idealizada em 2016, embrionada na antiga Efficientia, empresa 100% Cemig, com a finalidade de atuar em SOLUÇÃO FINAL DE ENERGIA PARA CLIENTES envolvendo portfolio como oferta de fontes renováveis (pp energia fotovoltaica), mercado livre (que seria suprido pela Comercializadora da Cemig) e eficiência energética para o consumidor. Uma espécie de consultoria para fidelização de clientes. Assim, a Cemig SIM foi pensada e constituída em 2019. A ideia era também de ser um spin-off futuramente, assim que ganhasse autonomia.

O negócio “Energia Fotovoltaica” em escala comercial sempre foi majoritariamente ignorado e desdenhado na Cemig entre 2016 a 2018, apesar dos esforços da Efficientia em mostrar o potencial gigantesco que esse mercado traria à Cemig. Perdemos anos e oportunidade preciosos. Quando a alta administração deu por si, já tínhamos perdido muitas oportunidades e os que criticavam a entrada da Cemig nesse mercado se deram conta depois do erro e, ironicamente, muitos deles trataram de entrar no negócio rapidamente, montando empresas especializadas.

Montamos em 2017, ainda na Efficientia, todo o plano de negócio em FV, que demandaria bilhões em investimentos a curto prazo, e iniciamos a estruturação e construção das primeiras usinas de Mini GD (Janaúba, Corinto, Manga, Lagoa Grande, Lontra …), em parceria com a Mori e prospectamos várias outras no norte e nordeste de Minas Gerais. Depois de algumas decisões equivocadas da direção da Cemig, finalmente a Cemig SIM foi constituída em 2019 e deslanchou, mas deixando de lado o negócio “Solução para Clientes” e em especial a eficiência energética.

O problema começou nesse vácuo de hesitação da direção da Cemig e coincidindo com a esperteza/oportunismo de vários investidores e alguns políticos lobistas, que estavam cientes do potencial da energia fotovoltaica. Nesse intervalo, quando estávamos justamente fazendo chamamentos públicos de parcerias para novos empreendimentos – criamos inclusive um Premissário para esses chamamentos – e sem ainda o apoio firme da direção da Cemig, vários pedidos de parecer de acesso para MMGD – que é atribuição exclusiva da Cemig Distribuição e não da Cemig Sim – de investidores mais ágeis tinham sido requisitados, sem muito rigor nos critérios de ordem de entrada. A esperteza (no bom e no mau sentido) prevaleceram. Seria importante levantar como foram obtidos esses vários pareceres de acesso para GD a partir da entrada da Cemig nesse negócio.

No entanto, após a consolidação da Cemig Sim, a governança ficou mais profissional, com corpo técnico altamente competente e responsável e a empresa alçou voos impressionantes, conforme havíamos previsto. No entanto, interesses gananciosos, apoiados por lobistas e políticos influentes no governo Zema, ganharam impulso e a lógica político-eleitoreira podem ter comprometido decisões corporativas internas, que sempre foram feitas de forma técnica e profissional.

O fator como Vorcaro, que se tornou o epicentro do atual escândalo – e que acredito estar a Cemig Sim séria e devidamente apurando internamente – pode ter encontrado brechas para se infiltrar e, que só agora Mateus Simões – que foi vice do grande fanfarão na época dos fatos – se diz “indignado”, num verdadeiro show de oportunismo público explícito, já que as investigações internas estão sendo feitas com rigor. É de se perguntar quem está se beneficiando do enfraquecimento dessa empresa.

Se o futuro ex-governador quiser realmente fazer algo positivo pela Cemig deveria ter começado pela manutenção do atual presidente e pela solução dos graves questionamentos levantados pela CPI da Cemig, feita pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais instaurada em junho de 2021 e concluída em fevereiro de 2022, que infelizmente foi arquivada temporariamente pelo MPMG. Dentre as graves irregularidades apontadas temos:

  1. Contratações diretas sem licitação: contratação ilegal de prestadores de serviços, consultorias, agências de recursos humanos (headhunters) e escritórios de advocacia, a grande maioria de fora do estado (São Paulo em especial).
  2. Contrato bilionário com a IBM: Foi apontada como lesiva uma contratação sem licitação de mais de R$ 1 bilhão com a multinacional para serviços de tecnologia por 10 anos. A Cemig tem, estranhamente para uma empresa de energia, uma Vice-presidência para tratar apenas de TI, que levanta suspeita de ser uma exigência da IBM.
  3. Aparelhamento e interferência política: o partido do governador Romeu Zema (Novo) interferiu diretamente na gestão e na substituição funcionários concursados e experientes por executivos “de mercado” mas, na realidade eram indicações políticas do Partido Novo, maquiados por supostos headhunters para facilitar o inchaço sem precedentes na Empresa. Hoje, dizem na Cemig, que existem mais caciques do que índios.
  4. Desinvestimento e alienação de ativos: A diretoria alienou subsidiárias da estatal (como a Renova Energia, Light, PCHs e parte da Taesa) com prejuízo ao patrimônio público e assim forçar o sucateamento da companhia. Venderam ativos da própria atividade fim da empresa (GTeD) e localizados em Minas Gerais, contradizendo a própria política de Desinvestimento que criaram.
  5. Práticas criminosas citadas: O Relatório sugeriu a denúncia de diretores de alta cúpula por crimes de peculato, corrupção passiva, improbidade administrativa e contratação direta ilegal. Fora a perseguição e destituição de empregados que se recusaram o fazer o jogo da ilegalidade.
  6. Grampeamento de celulares e computadores de empregados: Conforme denúncia na CPI e confirmado pela então Diretora Jurídica e de Regulação, a empresa Kroll foi contratada, sem licitação, para, segundo a própria Cemig atender a um pedido do MPMG, o que não fazia sentido.

Infelizmente, Mateus Simões comete outro grande erro político, ao trocar um executivo competente e experiente por um militante do União Brasil, numa sórdida negociata eleitoreira, em que ele só tem a perder. E aí, Mateus? Vai aprofundar sua “indignação” ou vai ficar somente na seletividade?

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