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Quando o ambiente de trabalho adoece

A campanha Janeiro Branco surgiu em 2014, em Minas Gerais, idealizada pelo psicólogo Leonardo Abrahão como forma de colocar a saúde mental em foco, aproveitando o simbolismo de “página em branco” do primeiro mês do ano como momento de reflexão e recomeço.

A data foi institucionalizada por meio da Lei 14.556/2023, que prevê ações nacionais para abordar e promover hábitos e ambientes saudáveis e prevenir doenças psiquiátricas, com enfoque especial na prevenção da dependência química, sofrimento psíquico, suicídio, qualidade de vida e prevenção de transtornos como ansiedade, depressão e burnout.

A campanha alerta para a importância de não ignorar sintomas ou sinais de fragilidade emocional e mental, quebrar tabus e fortalecer uma cultura de cuidados constantes, seja na vida familiar, social ou organizacional. 

Afastamentos vêm aumentando a cada ano

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgados em setembro de 2025, revelam que mais de um bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais, e a ansiedade e a depressão são as condições mais prevalentes. 

Em complemento a isso, segundo texto publicado no portal do Tribunal Superior do Trabalho (TST), o Ministério da Previdência Social (MPS) registrou um crescimento alarmante dos afastamentos por saúde mental no Brasil: em 2024, foram concedidas 472 mil licenças, 68% a mais que em 2023. Com relação a 2025, dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) mostram um aumento de 143% nos afastamentos do trabalho por transtornos mentais. 

Entre as doenças que mais geraram benefícios por incapacidade temporária, novamente, se destacam a depressão e a ansiedade. Juntas, elas somam quase meio milhão de casos, o maior número em pelo menos dez anos.

“Os números só comprovam como as pessoas estão cada vez mais adoecidas mentalmente e apontam para a urgência de politicas institucionais de acolhimento e prevenção, uma vez que as consequências desses transtornos vão muito além do afastamento do trabalho”, destacou o portal.

Senge-MG na luta por ambientes de trabalho saudáveis

Assédio Zero é um dos pontos mais importantes no programa da atual diretoria do Senge-MG. E nada melhor que colocar isso nas pautas de acordos e convenções coletivas de trabalho.

Ainda que muito aquém do ideal, a conquista já culminou em dois primeiros acordos onde a reivindicação foi pautada: ACTs 2025/2027 da Cemig e da Gasmig. Se num primeiro momento a mesa de negociação da Cemig insistia em não reconhecer “eventuais dificuldades ou falhas do sistema de acolhimento interno da empresa”, agora o termo está lá, cravado no artigo 60º. No ACT da Gasmig, o artigo é o 13º.

Onde buscar ajuda 

A saúde mental é parte integrante do Sistema Único de Saúde (SUS). Diversos serviços gratuitos estão disponíveis:

  • Unidades Básicas de Saúde (UBS): o primeiro passo é buscar atendimento com um clínico geral na UBS mais próxima, que pode encaminhar o paciente a um psicólogo ou psiquiatra;
  • Centros de Atenção Psicossocial (CAPS): oferecem atendimento especializado com equipes multidisciplinares;
  • Clínicas-Escola de Psicologia: universidades que oferecem cursos de Psicologia dispõem de clínicas onde alunos supervisionados por professores oferecem atendimentos gratuitos ou a preços acessíveis; e 
  • Centro de Valorização da Vida (CVV): o CVV proporciona apoio emocional 24 horas por dia, por meio do telefone 188 ou pelo chat online no site oficial.