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O decaimento da padaria do Joaquim Broa

Por Luis Borges*

Sabe aquela padaria tradicional e familiar, que te viu crescer no bairro em que sua família sempre morou? É o caso da padaria do Joaquim Broa, que funciona há 33 anos num bairro da zona centro-sul de Belo Horizonte. O nome da padaria veio da especialidade do fundador do negócio, que era fazer broas de fubá, que sempre fizeram dupla com o pão de sal. A clientela formada ao longo dos anos se acostumou a encontrar os seus produtos preferidos tanto no início da manhã quanto no meio da tarde ou início da noite.

Floresceram também os clientes tomando café da manhã e da tarde na padaria. Toda clientela sempre muito bem atendida pelo Joaquim Broa e funcionários que lá trabalharam por vários anos.

Aconteceu que quando a padaria completou trinta anos, o proprietário partiu inesperadamente para outro plano espiritual e um novo tempo surgiu para o negócio. No inventário dos bens deixados pelo pai da família, foi feita uma partilha que determinou a metade de tudo para a mãe, conforme a lei, e a outra metade foi dividida entre os três filhos do casal. Ao mais novo deles coube a padaria do Joaquim Broa.

Pão de sal / Freepik

Agora, passados três anos que aconteceu o acontecido, o que se vê é o decaimento do negócio, que tem entre as causas o despreparo do novo dono para conduzi-lo. Falta a gestão mais estruturada do negócio, com especial realce para a ausência de liderança do novo dono – que se junta à escassez e à alta rotatividade da mão de obra. Esta, por sua vez, reclama dos baixos salários, da jornada de trabalho 6X1, do não cumprimento de horários e do autoritarismo do novo proprietário herdeiro.

Já os clientes estão reclamando cada vez mais por causa do não atendimento de suas necessidades e expectativas. Tudo começa com a piora da qualidade da broa de fubá, símbolo da padaria. Também passa pelo não cumprimento dos horários clássicos em que a fornada de pão de sal fica pronta, a ausência de alguns produtos à disposição e a indolência de muitos empregados no atendimento no caixa, no balcão e no café. Vale lembrar que alguns clientes têm reclamado do aspecto visual de pães, roscas e das broas de fubá, o que os tem levado a desistir das compras.

O fato é que sinais estão sendo dados e o decaimento do negócio vai ficando cada vez mais visível.

É importante lembrar que gestão é o que todos precisam, independente do porte do negócio, mas nem todos os donos, que deveriam ser líderes, sabem que precisam.

Até quando as portas da padaria do Joaquim Broa estarão abertas?


*Luis Borges é Engenheiro Mecânico formado pela UFMG, professor universitário de carreira encerrada, consultor especialista em Gestão Estratégica de Negócios, mentor e torcedor do América Futebol Clube. Vive no reino das palavras, da música, do teatro e do conhecimento, em plena era da incerteza e de permanentes mudanças e reposicionamentos estratégicos.

As opiniões aqui expressas são de total responsabilidade do autor, não correspondendo necessariamente, às do Senge-MG.

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